quarta-feira, 11 de maio de 2011

Ela estava prestes a se lançar novamente. Sem amarras, sem cinto de segurança, sem rede de proteção.
A beleza da sua vida dava o ar da graça nestes momentos, em que corria o risco máximo de se machucar, mas não hesitava se alguém propunha se jogar.
Por um instante cogitava a possibilidade de se negar esta emoção para ficar a salvo de males futuros, como conherea outrora tão bem, nos males futuros que foram presente no passado.
Por um instante questionava-se se era digna daquela nova possibilidade tão impressionantemente extraída dos seus sonhos mais inconscientes diretamente para o centro da vida real, o presente.
Mas era só um instante.
Estas eram manifestações racionais.
Pequenas manifestações racionais num emaranhado de emoções que nem ela entendia, mas que estavam acordando coisas já esquecidas lá dentro.
Era o bom dela vindo à tona.
Era o sentimento que já desconfiava não mais existir. Pelo menos ali dentro.
Estava a sentir aquelas sensações infaláveis, indizíveis. Queria inventar palavras, gestos, músicas... Não era suficiente. 
Isto era só o começo.
Ela estava se permitindo.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Farta da monotematicidade dos narcisistas.
Da estaticidade dos acomodados.
Da inércia dos sem-iniciativa.
Eu quero o novo, o movimento, os riscos.
Eu quero as cores da novidade.
Descobrir novos caminhos - ou criá-los, quem sabe?! -, fazer novas escolhas.
Eu quero a agitação dos acontecimentos inesperados, dos sentimentos surpreendentes e da expectativa de respostas.
É preciso que haja perguntas.
As dúvidas movimentam o pensamento, lhe dão vida.
Eu quero encontros de alma gêmea: amigos, irmãos, amores.
Eu quero zerar o cronômetro. Bater meus records.
Eu quero a possibilidade de ponto final, de esquecer dos erros cometidos, de ter nova oportunidade de fazer o melhor.
Esperança.
Eu quero a serenidade e a explosão.
Eu quero isso, aquilo e aquilo outro.
Eu quero tudo. Eu quero não precisar de nada. Eu quero precisar de alguém.
Um brinde à vida! Ao recomeço constante. E à possibilidade de poder ser tudo o que não fomos, mas que gostaríamos de ser.
Reinventemos. Reiventemo-nos.
Que venha!
Feliz 2011!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Olhando de fora era nada mais que uma pessoa qualquer. Internamente, porém, havia um mundo.
Seus sentimentos estavam apenas inicialmente vinculados a alguma pessoa ou acontecimento, adquiriam vida própria e independência assim que se davam por si, e passavam a ser compreensíveis unicamente por quem os sentia.
Qualquer tantativa de verbalizá-los tinha se revelado insuficiente e incompreensível a olho nú (ou a ouvido nú, para ser mais minuncioso). 
Talvez por isso, não gostava de se despir.
O presente estava lá, ao seu alcance, mas preferia deixá-lo embrulhado a dividir a emoção de tê-lo com mais alguém.
Podia ser ela, ele ou qualquer outro, e podia estar aqui, lá, ou em qualquer lugar, mas, sabia, era absurdamente complexo o complexo de emoções que existiam ali dentro.
Não era uma pessoa espetacular. Aliás, não tinha nada de especial.
Era egoísta mesmo. Pronto.
Como era a única pessoa que detinha o conhecimento do seu interior, guardava um certo ar de superioridade quando se pegava pensando em qualquer coisa.
E achava que qualquer pessoa jamais seria capaz de compreender o que compreendia, só.
Não contribuiria em nada para a história. Não daria razão a grandes mudanças sociais. Não seria precursor de revoluções.
Mas, e daí?