sábado, 28 de maio de 2011

Ela criava monstros embaixo da cama.
Este era um dos seus mais bem guardados segredos. Os alimentava como crianças que choram, e os cobria com pequenos cobertores daqueles que esquentam os pés nos dias de frio insuportável.
Ela criava monstros.
Quando chegavam eram apenas criaturas pequeninas, quase nem notáveis a olho nú - os monstros nasciam assim -, mas sua natureza não podia se disfarçar por muito tempo.
Ela criava monstros. 
E os alimentava tão bem que eles cresciam de forma assombrosa. Mesmo.
Ontem, eles já eram tantos e tão grandes que de ficarem embaixo da cama, a cama passou a ficar em cima.
E ela dormia nas alturas.
Sem conseguir enxergar direito o mundo lá embaixo.
Nem seus óculos de ver melhor adiantavam mais.
Assim, de tão longe, com as vistas cansadas, só lhe restava dormir. E ali ela vivia de sonhos, daqueles que quando apertam o coração basta acordar.

sábado, 14 de maio de 2011

Esta sociedade repressora do sentimento... O que é que eu faço com isso tudo que está aqui dentro, se não pode pra pôr pra fora? 
E como foi que chegou neste ponto de ser bobo aquele que sente? Bobo é quem tá perdendo de sentir!
Sem poesia!!! Pra que poesia? 
Poesia é mais bonita quando fala de sofrimento e eu já fui mais infeliz.
Hoje eu quero é cantar um samba!
:)