segunda-feira, 13 de junho de 2011

"Há doenças piores que as doenças


Há doenças piores que as doenças,
Há dores que não doem, nem na alma
Mas que são dolorosas mais que as outras.
Há angústias sonhadas mais reais
Que as que a vida nos traz, há sensações
Sentidas só com imaginá-las
Que são mais nossas do que a própria vida.

Há tanta cousa que, sem existir,
Existe, existe demoradamente,
E demoradamente é nossa e nós...
Por sobre o verde turvo do amplo rio
Os circunflexos brancos das gaivotas...
Por sobre a alma o adejar inútil
Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo.

Dá-me mais vinho, porque a vida é nada."



Fernando Pessoa
Ah, a vida e suas ironias... :)

Alguns questionamentos depois, textos postados e despostados e repostados, numa tentativa vã de manutenção da coerência (?), me ocorre que talvez a sombra que tanto me incomoda seja a da minha própria cabeça, que, olhando para o chão, não consegue ver o sol, mas tão somente sua própria sombra  - é óbvio! Vem então, ironicamente, no rádio do táxi, como num efeito de edição, a trilha sonora mais apropriada para esta tarde de segunda-feira 13, na voz de Chico, compartilho.