Ela criava monstros embaixo da cama.
Este era um dos seus mais bem guardados segredos. Os alimentava como crianças que choram, e os cobria com pequenos cobertores daqueles que esquentam os pés nos dias de frio insuportável.
Ela criava monstros.
Quando chegavam eram apenas criaturas pequeninas, quase nem notáveis a olho nú - os monstros nasciam assim -, mas sua natureza não podia se disfarçar por muito tempo.
Ela criava monstros.
E os alimentava tão bem que eles cresciam de forma assombrosa. Mesmo.
Ontem, eles já eram tantos e tão grandes que de ficarem embaixo da cama, a cama passou a ficar em cima.
E ela dormia nas alturas.
Sem conseguir enxergar direito o mundo lá embaixo.
Nem seus óculos de ver melhor adiantavam mais.
Assim, de tão longe, com as vistas cansadas, só lhe restava dormir. E ali ela vivia de sonhos, daqueles que quando apertam o coração basta acordar.
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