domingo, 19 de setembro de 2010


Não se contam mais as horas.
O que se deseja é que elas se mantenham estáveis, assim como o tempo, assim como o clima, assim como o planeta.
E da prisão só se escapa por um instante no horizonte que é visível, mas quase irreal, porque daqui o que se vê é a liberdade, apesar das grades; o passo e o rastro de quem já se foi sem nem ter ido e de quem ainda está presente na ausência da memória; a cor do vento e do sol, o ruído do beijo, o suspiro, o lamento de uma realidade menos viva; o pingo da chuva, do cuspe e da lágrima e a água potável que derrama do copo meio cheio.
Não foram usadas cores primárias.
O meu cenário é um quadro pintado com os pés, em cinza e preto, que resplandece
rosa choque e amarelo
e verde
e amarelo
e verde e amarelo azul anil
Me diz como ficar e lutar se a chuva que vem vai alagar o coração de quem não se conforma, ou se conforma apenas com a forma - prescrita em lei?
Você não está mais aqui e eu continuo dizendo seu nome num caso, num carro, num beijo e no ar condicionado, no verão.
Pra onde vamos?
Volta,
Me pega
Me arrasta, se eu não quiser ir,
Mas me leva
E me põe no seu avião pra gente chegar antes deles em Lugar Nenhum.

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